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Não é
nada fácil manter a disciplina. De maneira geral, a disciplina
é um problema nas escolas em todo o mundo, e certamente
não é somente por causa das escolas. As crianças
são expostas a influências do ambiente
sócio-cultural em que vivem. Os professores e as escolas
são apenas uma das muitas influências do educando. Assim
sendo, as escolas, sozinhas, não podem ser as
únicas responsáveis pela indisciplina.
Dessa forma, precisamos entender também
que a escola, enquanto instituição educadora, não
pode sozinha ter a missão disciplinadora. As famílias
não podem deixar as escolas lutarem sozinhas na batalha contra o
mau comportamento. Hoje, mais do que nunca, toda sociedade deve estar
mobilizada no sentido de produzir uma sinergia na ação
educadora da disciplina.
Nós, pais e educadores, devemos ter em
mente que a educação, enquanto fenômeno universal,
comporta diversas tensões em seu âmbito. Não
podemos nos ater apenas às questões internas da
relação interpessoal no espaço-escola, mas
sobretudo à causa cultural que as crianças trazem
consigo. Por isso, família e escola têm que estar em
sintonia na questão da formação das
crianças. Jamais fará sentido a disciplina escolar, se a
família questionar as regras da escola. Nunca as crianças
aprenderão o que é certo. Se os pais não ajudarem
a Escola, quem educará as crianças? Quem lhes dará
respostas e a reconduzirá ao bom senso? Quem lhe dará
limites? É justamente aqui que entra em cena uma das
questões mais controversas no âmbito da
educação familiar e escolar: a questão do limite.
Nós, que vivemos o cotidiano das grandes
cidades mergulhados nas obrigações da
sobrevivência, acabamos muitas vezes com dificuldade de
acompanhar os nossos filhos. E aí vem a questão: quem
dá a medida para os limites de nossas crianças? Se a
criança hoje passa mais tempo nas escolas do que em casa, quem
de fato está com a tarefa de educar? Teremos então um
problema: cabe somente à Escola o papel da
educação das crianças? Onde entra a escola? E a
família? Pois bem, é aí que não pode haver
dúvidas. Escola e família, ambas têm a
missão educadora, porém papeis diferentes, mesmo que as
atribuições dos papeis convirjam para um só ponto:
a educação de crianças e jovens. Precisamos estar
atentos a isso. Por mais que Escola e professores tentem, jamais
conseguirão suprir a necessidade da ação familiar
na educação da criança. Por isso, fazem-se
necessários o diálogo e a perfeita sintonia entre escola
e família. Temos que trabalhar juntos, sem o extremo de pensar
que uma ação disciplinar “traumatiza”
crianças e sem o extremo de abuso de autoridade ou
imposições de valores por demais exagerados, por parte
dos educadores.
É importante salientar, todas as vezes
que falamos em disciplina, que os limites são exatamente a
medida para a construção de autonomia e
“liberdade-responsável”. A sociedade tem regras e
limites e nós vivemos nela. Nossas crianças precisam
entender isso. Não podemos achar problemas nisso.
Diante de uma sociedade, cujas regras
são abaladas pelos modismos midiáticos, temos que estar
alerta e juntos para evitarmos choques, exatamente naquilo que é
o nosso propósito: educar para a vida.
Tenham certeza de uma coisa muito importante;
nós, educadores do COC, somos confiantes em nosso trabalho
educativo. Sabemos o quanto é necessário caminharmos
juntos: família e escola em uma sintonia perfeita. Vamos
trabalhar juntos na construção de um maravilhoso mundo
para as nossas crianças.
*O Profº José Romero Nobre de Carvalho é Diretor Geral do COC Maceió.
jromero@coc.com.br
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